terça-feira, 21 de novembro de 2017

Para entender Foucault


Controverso, francês buscou novas interpretações para as questões da loucura, da sexualidade e do poder 



Novas interpretações para as questões da loucura, da sexualidade e do poder
Retrato do filósofo francês Michel Foucault, morto em 1984.
“Existem momentos na vida em que a questão de saber se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou refletir”. Esta frase, escrita pelo filósofo francês Michel Foucault em 1984 – ano de sua morte – no segundo volume da trilogia História da Sexualidade, sintetiza a experiência intelectual desse que foi um dos maiores filósofos do século XX. Controverso e polêmico, Foucault buscou constantemente deslocar o olhar que mira as questões tidas como canônicas e torcê-las, apontando para novas interpretações e análises de fenômenos tomados como naturais e como imutáveis.

Nos diversos temas que perpassam sua obra, seja na análise da loucura, das Ciências Humanas, da sexualidade, da prisão ou – como indica seu mais recente campo de estudos – na análise da governamentalidade e do neoliberalismo, Foucault desbravou diversas possibilidades teóricas. Seu fio condutor buscava um saber que dissecasse o presente histórico, perpassado por relações de poder e por configurações de saberes correspondentes. Nesse sentido, Foucault pensava suas análises como “caixas de ferramentas”, verdadeiros instrumentos práticos e meios concretos para se pensar o presente, virá-lo do avesso, criticá-lo e buscar novos caminhos de compreensão e experiência para além daqueles impostos como limites pelo nosso tempo. A seguir, falaremos brevemente sobre os principais temas presentes em sua obra.
A primeira vereda pela qual se aventurou Foucault é o estudo do fenômeno que foi convencionalmente classificado como “loucura”. Publicado em 1961, História da Loucura é o primeiro livro do francês que o coloca no mapa da Filosofia na segunda metade do século passado. Na obra, baseada em extensa pesquisa documental, aponta como a loucura foi recortada como objeto de conhecimento em diversas épocas e instituições sociais.
Em tal trilha, ele não recai em um percurso linear e evolucionista, segundo o qual todas as formas de conhecimento anteriores à constituição da Psiquiatria seriam formas pré-científicas e, consequentemente, irracionais ou incapazes de compreender o fenômeno da loucura.
Tampouco se refugia no relativismo, segundo o qual a loucura não existiria. O que ele afirma é que, dependendo de seu contexto social, moral e imaginário, distintos momentos históricos tematizam e vivenciam a experiência da loucura e da desrazão de maneiras específicas.
De acordo com Foucault, o rompimento que levou à instituição da Psiquiatria é o do silenciamento e apagamento de múltiplas vozes e de possibilidades de apreensão do fenômeno da loucura, estabelecendo-a como objeto privilegiado e exclusivo do saber psiquiátrico. Tal rompimento demonstra uma série de afinidades com os processos que se desenrolavam na sociedade capitalista nascente, que andava lado a lado com o aparecimento de instituições de reclusão e de internamento, como o manicômio, o hospital e a prisão.
Nessas instituições, e por meio desses saberes, delimitavam-se os espaços apropriados para cada indivíduo, efetuando-se uma triagem entre normal/anormal, razão/desrazão, são/louco, entre outros. Ao mesmo tempo, um campo de saber específico volta-se para tais instituições, verdadeiros laboratórios de estudos nos quais novas relações entre sujeito e objeto nascem.
A obra Vigiar e Punir, de 1975, é o maior sucesso de Foucault e o que causou maior impacto na Sociologia, especialmente na interessada em compreender as relações de poder, as prisões, bem como a lógica e as práticas da punição. Novamente recusando-se a escrever uma história evolutiva e progressiva dos eventos, estuda a mutação nas práticas penais ocorrida na Europa Ocidental entre os séculos XVIII e XIX.
Em outras palavras, o filósofo busca compreender como se passou da tortura e do suplício como formas disseminadas de punição à moderna prisão como forma punitiva por excelência. Sua explicação é tão estarrecedora quanto decisiva: não se tratou de um movimento contínuo de humanização das penas e da sociedade como um todo, mas sim de uma transformação profunda relacionada à proveniência do poder disciplinar.
Este se refere a uma série de saberes, lógicas, práticas e instituições relativamente dispersas – como o presídio, o hospital, a fábrica e a escola – mas animadas por uma lógica comum: vigiar, controlar, dispor e classificar; atribuir a cada indivíduo um espaço e uma função; controlar o tempo e cada ínfimo movimento.
O objetivo é pulverizar pela sociedade o princípio do panóptico de Bentham, segundo o qual uma torre central permitiria ao guarda vigiar cada uma das celas sem ser, em compensação, visto por nenhum dos detentos, instituindo um poder automático, incessante e inescapável.
Esse arquipélago disciplinar aparece juntamente com o capitalismo, relacionando-se intimamente com as novas problemáticas e exigências de controle dos tempos, dos movimentos, da circulação, da produção, dos corpos e dos capitais. Em épocas de explosão demográfica, de nascimento das grandes cidades, de enormes concentrações populacionais e migrações do campo para as cidades, ele foi uma tecnologia de poder que domou as multidões perigosas e revoltas populares e, ao mesmo tempo, otimizou suas forças produtivas, criando, assim, “sujeitos assujeitados”, adestrados politicamente e ativos economicamente.
Planejada como obra de grande alcance em seis volumes, História da Sexualidade é mais um exemplo de como Foucault, polêmica e argutamente, busca outra visão a respeito do fenômeno da sexualidade e nos obriga a questionar concepções que prevalecem tanto nas Ciências Sociais tradicionais quanto no senso comum.
No primeiro volume da obra em questão, cujo subtítulo é A vontade de saber, publicado em 1976, o autor questiona a assim chamada “hipótese repressiva” em torno da sexualidade. Em outras palavras, ele indaga a veracidade por trás da afirmação comumente aceita de que seríamos reprimidos quanto à nossa sexualidade. Ao contrário, mostra Foucault, desde o século XVIII vemos uma enorme proliferação dos discursos acerca da sexualidade: médicos, pedagogos, juristas, psiquiatras, psicanalistas, padres, todos buscam incessantemente extrair a confissão a respeito da sexualidade de cada indivíduo.
A explosão discursiva dos séculos XVIII e XIX apresenta duas características centrais: em primeiro lugar, a monogamia heterossexual deixa de estar no palco central, não sendo exigida e descrita o tempo todo e, em segundo, todas as figuras secundárias e periféricas de outrora, como a figura do perverso, da criança onanista, da mulher histérica, entre outras, avançam para tomar a palavra e confessarem o que são. São fomentadas inúmeras instâncias de observação e de incitação, de questionário, consultórios, clínicas, divãs, entre outros, que, ao mesmo tempo, trazem consigo o prazer, de um lado, de apalpar, questionar, desentranhar e, de outro, de ser apalpado, de confessar e de tentar escapar ao poder: inúmeras espirais de poder e de prazer.
Nesse sentido, o crescimento e a proliferação das perversões são produto direto e real de um tipo de poder sobre os corpos e suas sexualidades. Ao mesmo tempo produto e instrumento, efeito e vetor desse poder, as perversões e o poder se entrelaçam e se ramificam, se apoiam e se relacionam
Assim como na obra sobre as prisões publicada um ano antes, Foucault busca aqui entender o saber formado em torno do sexo em termos do poder. Mas, como entender o poder? Certamente, não apenas como modo de sujeição de cidadãos ao Estado, ou como violência que se dá na forma de regra, nem mesmo somente como poder de uma classe ou grupo sobre outro. Trata-se de um poder que assume uma forma capilarizada.
Esse poder que busca o tempo todo regular e gerir a vida das pessoas, Foucault nomeia “biopoder”, uma tecnologia de governo da vida que se desenvolveu a partir de duas táticas distintas: primeiramente, as disciplinas, exploradas em Vigiar e Punir, e depois, a partir de meados do século XVIII, uma biopolítica que mira não mais o indivíduo, mas a população como um todo.
Criticado por conceber uma sociedade exasperante, na qual a liberdade e a ação individual não teriam nenhum papel e a obediência cega seria a norma, Foucault passou a tematizar, entre 1977 e 1980, diferentes facetas da sociedade contemporânea.
Especialmente no curso de 1979 e 1980 dado no Collège de France (Nascimento da Biopolítica) Foucault se debruça sobre a genealogia do discurso neoliberal, desde a sua aparição nas Escolas austro-germânica e estadunidense na primeira metade do século XX.
Nessa empreitada mostra como, ao contrário do que muitas análises repetem como mantra, o Neoliberalismo não se caracteriza pela retirada do Estado da vida social, pela ausência de planejamento ou recusa de uma política social que seriam próprias ao Estado de Bem-estar Social. A diferença essencial entre ambos não está na presença ou ausência desses elementos, mas sim nas diferentes mentalidades, técnicas, racionalidades e dispositivos de gerência e administração (ou, no neologismo foucaultiano, nas diferentes “governamentalidades”) que animam tais formas de governo. Enquanto o Estado do Bem-estar Social se caracteriza por buscar corrigir na sociedade os efeitos perversos da economia, a governamentalidade neoliberal implementa uma política de sociedade que permite introduzir e expandir os mecanismos concorrenciais próprios do mercado nas relações sociais e dentro dos próprios indivíduos.
O resultado, na visão foucaultiana, é uma população que passa a ser medida e planejada incessantemente. Assistimos também à aparição de um padrão subjetivo neoliberal, cunhado a partir da forma da empresa, da concorrência e da necessidade onipresente de empreendedorismo e de aumentar seu capital humano: verdadeiros empresários de si. Tal raciocínio invade as mais recônditas e íntimas áreas do indivíduo e da população, influenciando decisivamente não apenas sua vida profissional, mas também decisões como: Onde morar? Quantos filhos ter? Que dieta seguir? Que livros ler? Como me vestir?, entre outros aspectos familiares, emocionais, íntimos e sociais.
Embora tão presente quanto as disciplinas, tal controle opera por outros caminhos, mais sutis, embaralhando as fronteiras entre aquilo que o indivíduo mesmo escolheu e o que lhe foi determinado de fora. O tempo todo a liberdade é criada e destruída, gerida e administrada, fomentada e controlada, vigiada e liberta, em um jogo incessante que implica Estado, economia, empresa, indivíduo e sociedade.
Marcos César Alvarez é professor de Sociologia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo
Eduardo Altheman Camargo Santos é doutorando no Programa de Pós-graduação em Sociologia da mesma universidade

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Recuperações de História e Filosofia

Galera,

devido aos vários imprevistos acontecidos nos dias que marcamos o primeiro encontro para organizar os seminários de recuperação, decidi passar um trabalho em vez de avaliação presencial. Ou seja, tanto para história quanto para filosofia vocês deverão compor um texto e me entregar até o dia 27/11/17. Prestem bastante atenção em como deverão ser desenvolvidos os trabalhos:

História

Objetivo geral:

Escrever um texto narrando e descrevendo como os povos orientais foram afetados pelo imperialismo europeu do século XIX.

Objetivos específico:

  • Relacionar o darwinismo social com o imperialismo do século XIX;
  • Descrever como as nações orientais e africanas foram afetadas pelo imperialismo;
  • Analisar como o patrimônio histórico dos povos orientais foi tratado pelos europeus.
Filosofia

Objetivo geral:

Escrever um texto analisando filosoficamente a adolescência.

Objetivos específicos:
  • Relacionar o tema adolescência com o existencialismo;
  • Relacionar o tema adolescência com o "esclarecimento" de Kant;
  • Relacionar o tema adolecência com a "modernidade".

Dicas:

Para todos os temas existem textos e vídeos super legais disponíveis na internet, no youtube, etc. Leiam e assistam os vídeos e referenciem eles devidamente no trabalho.

Intruções gerais:

  • Os textos poderão ser escritos em DUPLA;
  • A dupla não precisa ser alguém da sua sala, mas deve ser alguém que pegou recuperação na disciplina;
  • Não há mínimo de linhas, mas serão avaliados o fôlego e o alcance das análises e argumentos;
  • Os textos deverão ser DIGITADOS e salvos em extensões compatíveis com o Libre Office (.ods, .docx, etc.);
  • Os textos deverão ser enviados por email até o dia 27/11;
  • Cópias de trabalhos de colegas ou plágios de quaisquer fontes (internet, livros, etc) redundará na atribuição de valor ZERO na avaliação do estudante.
Critérios de avaliação:

  • Clareza na exposição das ideias;
  • Escrita de maneira autoral de acordo com suas próprias palavras;
  • Articulação de cada um dos objetivos gerais e específicos no texto.


Para qualquer dúvida estarei à disposição durante a semana para conversarmos pessoalmente.

Bom trabalho!



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Michel Foucault, um crítico da instituição escolar

Por meio de uma análise histórica inovadora, o filósofo francês viu na educação moderna atitudes de vigilância e adestramento do corpo e da mente

Por: Márcio Ferrari
Michel Foucault. Foto: Bettmann/Corbis /Stock Photos
Michel Foucault
Poucos pensadores da segunda metade do século 20 alcançaram repercussão tão rápida e ampla quanto o francês Michel Foucault (1926-1984). Por ter proposto abordagens inovadoras para entender as instituições e os sistemas de pensamento, a obra de Foucault tornou-se referência em uma grande abrangência de campos do conhecimento. Em seus estudos de investigação histórica, o filósofo tratou diretamente das escolas e das idéias pedagógicas na Idade Moderna. Além disso, vem inspirando uma grande variedade de pesquisas sobre educação em diversos países. "Foi Foucault quem pela primeira vez mostrou que, antes de reproduzir, a escola moderna produziu, e continua produzindo, um determinado tipo de sociedade", diz Alfredo Veiga-Neto, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Em vez de tentar responder ou discutir as questões filosóficas tradicionais, Foucault desenvolveu critérios de questionamento e crítica ao modo como elas são encaradas. A primeira conseqüência desse procedimento é mostrar que categorias como razão, método científico e até mesmo a noção de homem não são eternas, mas vinculadas a sistemas circunscritos historicamente. Para ele, não há universalidade nem unidade nessas categorias e também não existe uma evolução histórica linear. O peso das circunstâncias não significa, no entanto, que o pensador identificasse mecanismos que determinam o curso dos fatos e os acontecimentos, como o positivismo e o marxismo.

Investigando o conceito de homem no qual se sustentavam as ciências naturais e humanas desde o iIuminismo, Foucault observou um discurso em que coexistem o papel de objeto, submetido à ação da natureza, e de sujeito, capaz de apreender o mundo e modificá-lo. Mas o filósofo negou a possibilidade dessa convivência. Segundo ele, há apenas sujeitos, que variam de uma época para outra ou de um lugar para outro, dependendo de suas interações.
Disciplina e modernidade

Foucault concluiu, no entanto, que a concepção do homem como objeto foi necessária na emergência e manutenção da Idade Moderna, porque dá às instituições a possibilidade de modificar o corpo e a mente. Entre essas instituições se inclui a educação. O conceito definidor da modernidade, segundo o francês, é a disciplina - um instrumento de dominação e controle destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes. Portanto, ao mesmo tempo que o iluminismo consolidou um grande número de instituições de assistência e proteção aos cidadãos - como família, hospitais, prisões e escolas -, também inseriu nelas mecanismos que os controlam e os mantêm na iminência da punição (leia o quadro acima). Esses mecanismos formariam o que Focault chamou de tecnologia política, com poderes de manejar espaço, tempo e registro de informações - tendo como elemento unificador a hierarquia. "As sociedades modernas não são disciplinadas, mas disciplinares: o que não significa que todos nós estejamos igual e irremediavelmente presos às disciplinas", diz Veiga-Neto.

O filósofo não acreditava que a dominação e o poder sejam originários de uma única fonte - como o Estado ou as classes dominantes -, mas que são exercidos em várias direções, cotidianamente, em escala múltipla (um de seus livros se intitula Microfísica do Poder). Esse exercício também não era necessariamente opressor, podendo estar a serviço, por exemplo, da criação. Foucault via na dinâmica entre diversas instituições e idéias uma teia complexa, em que não se pode falar do conhecimento como causa ou efeito de outros fenômenos. Para dar conta dessa complexidade, o pensador criou o conceito de poder-conhecimento. Segundo ele, não há relação de poder que não seja acompanhada da criação de saber e vice-versa. "Com base nesse entendimento, podemos agir produtivamente contra aquilo que não queremos ser e ensaiar novas maneiras de organizar o mundo em que vivemos", explica Veiga-Neto.

Arqueologia do saber


A contestação e a revisão de conceitos operadas por Foucault criaram a necessidade de refazer percursos históricos. Não é sobre os governos e as nações que ele concentra seus estudos, mas sobre os sistemas prisionais, a sexualidade, a loucura, a medicina etc.

Três fases se sucederam em sua obra. A da arqueologia do conhecimento é marcada pela análise dos discursos ao longo do tempo, de acordo com as circunstâncias históricas, em busca de um saber que não foi sistematizado. A genealógica corresponde a um conjunto de investigações das correlações de forças que permitem a emergência de um discurso, com ênfase na passagem do que é interditado para o que se torna legítimo ou tolerado. Finalmente, a fase ética centra o foco nas práticas por meio das quais os seres humanos exercem a dominação e a subjetivação, conceito que corresponde, aproximadamente, a assumir um papel histórico.
A docilização do corpo no espaço e no tempo
Esquema de postura corporal da escola francesa de Port-Mahon do século 19: triunfo da disciplina. Foto: Reprodução Ed. Vozes
Esquema de postura corporal da escola 
francesa de Port-Mahon do século 19: triunfo 
da disciplina.
Para Foucault, a escola é uma das "instituições de seqüestro", como o hospital, o quartel e a prisão. "São aquelas instituições que retiram compulsoriamente os indivíduos do espaço familiar ou social mais amplo e os internam, durante um período longo, para moldar suas condutas, disciplinar seus comportamentos, formatar aquilo que pensam etc.", diz Alfredo Veiga-Neto. Com o advento da Idade Moderna, tais instituições deixam de ser lugares de suplício, como castigos corporais, para se tornarem locais de criação de "corpos dóceis". A docilização do corpo tem uma vantagem social e política sobre o suplício, porque este enfraquece ou destrói os recursos vitais. Já a docilização torna os corpos produtivos. A invenção-síntese desse processo, segundo Foucault, é o panóptico, idealizado pelo filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1832): uma construção de vários compartimentos em forma circular, com uma torre de vigilância no centro. Embora não tenha sido concretizado imediatamente, o panóptico inspirou o projeto arquitetônico de inúmeras prisões, fábricas, asilos e escolas. Uma das muitas "vantagens" apresentadas pelo aparelho para o funcionamento da disciplina é que as pessoas distribuídas no círculo não têm como ver se há alguém ou não na torre. Por isso, internalizam a disciplina. Ampliada a situação para o âmbito social, a disciplina se exerce por meio de redes invisíveis e acaba ganhando aparência de naturalidade.
Biografia


Michel Foucault nasceu em 1926 em Poitiers, no sul da França, numa rica família de médicos. Aos 20 anos foi estudar psicologia e filosofia na École Normale Superieure, em Paris, período de uma passagem relâmpago pelo Partido Comunista. Obteve o diploma em psicopatologia em 1952, passando a lecionar na Universidade de Lille. Dois anos depois, publicou o primeiro livro, Doença Mental e Personalidade. Em 1961, defendeu na Universidade Sorbonne a tese que deu origem ao livro A História da Loucura. Entre 1963 e 1977, integrou o conselho editorial da revista Critique. Em meados dos anos 1960, sua obra começou a repercutir fora dos círculos acadêmicos. Lecionou entre 1968 e 1969 na Universidade de Vincennes e em seguida assumiu a cadeira de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France, alternando intensas pesquisas com longos períodos no exterior. A partir dos anos 1970, militou no Grupo de Informações sobre Prisões. Entre suas principais obras estão História da Sexualidade e Vigiar e Punir. Foucault morreu de aids, em 1984.

Época fértil para novas idéias
Impasse entre a polícia e estudantes franceses em 1968: espírito de contestação. Foto: HULTON/Getty Images
Impasse entre a polícia e estudantes 
franceses em 1968: espírito de contestação.
Embora Foucault estivesse na Tunísia em maio de 1968, suas idéias estão profundamente ligadas à revolta estudantil ocorrida nas ruas de Paris naquele famoso mês. As manifestações antiautoritárias começaram em apoio aos alunos que haviam tomado a Universidade de Nanterre num protesto contra a reitoria. Esta reagiu fechando os portões do campus. Em pouco tempo as ruas da capital francesa estavam lotadas de estudantes, intelectuais e operários, unidos, entre outros lemas, pela defesa da "imaginação no poder". A movimentação não teve conseqüências práticas imediatas, mas anunciou diversas mudanças, principalmente no campo das idéias. Uma delas foi a substituição, na preferência dos jovens intelectuais, de pensadores ligados ao marxismo e ao existencialismo por uma geração aparentada com o espírito contestador de Foucault, liderada por nomes como Roland Barthes (1915-1980) e Gilles Deleuze (1925-1995). Por deslocar a noção de poder para uma dimensão múltipla e localizada, Foucault favoreceu um princípio político caro aos partidos alternativos do fim do século 20: o de que não é preciso revoluções para modificar a realidade, porque isso é possível de forma gradual no âmbito cotidiano.

Para pensar 

É comum a educação ser encarada como um valor único, invariável e redentor. Mas Foucault a via enredada em seu contexto cultural. Por isso, o ensino que em uma época é considerado a salvação do ser humano, em outra pode ser visto como nocivo. Você já pensou nas implicações políticas e sociais da educação atual, com base em sua experiência? Se sim, você leva em conta as conclusões ao planejar o trabalho em sala de aula?
Quer saber mais?

Foucault e a Educação, Alfredo Veiga-Neto, 160 págs., Ed. Autêntica, tel. (31) 3222-6819, 27 reais
O Sujeito da Educação, Tomaz Tadeu da Silva (org.), 258 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2246-5552, 49,40 reais
Vigiar e Punir, Michel Foucault, 264 págs., Ed. Vozes, 43,90 reais

Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/1522/michel-foucault-um-critico-da-instituicao-escolar

Temas para questões de prova sobre Grécia Antiga

  1. Homero e seus épicos: Ilíada e Odisséia
  2. O Aedo e a tradição oral
  3. A cidade-estado de Esparta
  4. A democracia ateniense
  5. O império Persa e o orientalismo
  6. As artes gregas do período clássico
  7. As olimpiadas
  8. A Guerra do Peloponeso
  9. O período Macedônico
  10. A desvalorização do trabalho manual

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

ERRATA: Recuperações de História e Filosofia

Bom dia, pessoal!

Divulguei errado a data do nosso primeiro encontro de recuperação. Eu havia informado dia 17/11, mas será dia 10/11, sexta-feira agora. Dia 17 será as apresentações dos trabalhos.

Portanto, favor agendar sua presença na primeira aula de recuperação para o dia 10/11, sexta-feira agora.

Grato pela compreensão!

Cláudio.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Trabalho final de Filosofia: conceitos

  1. A banalidade do mal, de Hannah Arendt
  2. A alegoria da caverna, de Platão
  3. "O inferno são os outros", de Jean Paul Sartre
  4. A dialética, de Sócrates
  5. O existencialismo, de Soren Kierkegaard
  6. A modernidade, de Jean Baudrillard*
  7. O esclarecimento, de Immanuel Kant
  8. A tábula rasa, de John Locke
  9. O panóptico, de Michel Foucault
*Vou disponibilizar o texto expecífico.